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Fanatismo político na Era das Redes Sociais |Marshall Mcluhan e “a regressão tribal” na era da comunicação eletrônica. Perda da consciência individual, Política e violência.

Fanatismo político na Era das Redes Sociais |Marshall Mcluhan e “a regressão tribal” na era da comunicação eletrônica. Perda da consciência individual, Política e violência

Nos estudos de Marshall Mcluhan sobre a comunicação, o criador do termo “Aldeia global” alertou que a humanidade regrediria à mente tribal/coletiva com a consequente perda da consciência individual.

Com essa regressão e perda da consciência individual, perder-se-ia a identidade.

O ser humano, então, como que para recuperar a identidade perdida precisa afirmar, acreditar e comunicar. Essa comunicação torna os outros mais próximos. No entanto, essa proximidade, observa Mcluhan, deixa as pessoas “mais impacientes e selvagens”.

A pessoa necessita, pois, ampliar sua comunicação e tornar os outros mais próximos e repassar a “verdade” ou atacar quem não acredita na pregação dessa suposta “verdade”. Isso pode gerar violência!

A hiperconexão digital aliada à política tem a capacidade de gerar essa violência.

Com adjetivos e apelos os mais variados, mensagens eletrônicas de conteúdo político chegam aos nossos celulares sem parar. Podem ser textos ou vídeos.

As mensagens têm, em comum, entre outros dizeres, alguns apelos dramáticos: Urgente; Repasse sem dó; Vamos fazer valer nossos direitos custe o que custar; Não podemos deixar isso acontecer…

São mensagens com viés de ordem!

A consciência massificada pelo totalitarismo digital compreende essa ordem de maneira “religiosa”, porque a política, a tecnologia e a necessidade comunicativa já tomaram conta da sua “alma”. É a suposta salvação de algo que está em jogo: a própria vida, da família, da nação, do mundo…

Não interessa a validade do conteúdo, o que interessa é o engajamento digital de uma mente consumida pela política e pela tecnologia movida por algo difuso com aparência da totalidade do bem.

O indivíduo massificado, na era digital, é apenas um ser humano numa tribo eletrônica, preparando-se para uma guerra que pode, realmente, tornar-se muito verdadeira, pois os conteúdos políticos digitais tendem a fanatizar e surgem os oponentes com igual ou maior força.

P.S.:1) Embora tenhamos escolhido o fanatismo político nas redes sociais como tema, existem outros tipos de fanatismo, a exemplo do religioso, onde o ser humano também perde sua identidade em prol da coletividade e do líder. Isso é muito comum nas seitas religiosas.

2) Não se trata, neste presente artigo e no próximo, de diminuir a importância da política e de suas vertentes.
Sabemos, desde Aristóteles, que “o homem é um animal político”. E com Tomás de Aquino, completando a noção do Estagirita que o homem é um animal social, “vivendo em multidão mais do que os outros animais, o que se evidencia pela natural necessidade”.

No entanto, a política foi potencializada pelas redes sociais e boa parte do povo brasileiro e da humanidade é movida, muito mais, quando se trata de política, pela paixão e o fanatismo do que pela razão e a cidadania.

Sobre a pós-cristandade, clique aqui para ler um artigo.

Luís Fernando Pires Braga

Advogado.

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