Karl Jaspers contra o Marxismo e a psicanálise

Karl Jaspers contra o Marxismo e a psicanálise

Karls Jaspers  

Karl Jaspers contra o Marxismo e a psicanálise

 Karl Jaspers, psiquiatra e filósofo alemão, foi um daqueles homens a desafiar as sombras do pensamento e suas consequências.


De acordo com Hannah Arendt, no livro “Homens em tempos sombrios”, um herói intelectual. Ou, no discurso em homenagem a ele, quando do falecimento do grande filósofo: “consciência da Alemanha por  um quarto de século”.

 É bem evidente que num mundo cada vez mais descristianizado, substitutos do pensamento cristão e de sua filosofia apareçam ou retornem sob outra forma.

Etienne Gilson, em sua “História da Filosofia Cristã”, afirmava: “para os filósofos antigos e a maioria dos modernos a filosofia é uma espécie de religião natural, ou um sucedâneo da religião”.

Quando esses substitutos são o Marxismo e a psicanálise, um  filósofo, a exemplo de Karl Jaspers, defronta-se contra gigantes do raciocínio extremamente resistentes e traiçoeiros.

Resistentes, pois aparelham quase todo fluxo de informação cultural e educacional existente.

Traiçoeiros, porque perderam, já no nascedouro, o caráter científico e se transformaram em concepções de mundo, tendo seus sacerdotes e seguidores.

 Régis Jolivet, em seu Tratado de Filosofia, dizia que o “raciocínio não é a razão e existem muitos raciocínios que são um desafio à razão, sem deixar de ser em si mesmos, de uma lógica inatacável.”

Ressalte-se: “em si mesmos”. Quando aplicados à realidade são desastrosos.

Sob essa mesma ótica, Jaspers atacou Marx e Freud: “Mais que quaisquer outros, dois pensadores, Marx (no campo da sociologia) e Freud (no campo da psicologia), elaboraram com enorme poder de observação e construção, a par de conceitos acertados, concepções falsas e catastróficas. Esses dois homens de ódio, à semelhança de profetas, inspiraram fé. Foram seguidos por homens que afastados da Igreja não se haviam voltado para a filosofia.
Como os dois autores citados eram pensadores de alta categoria intelectual e ofereciam resultados palpáveis a pseudocientífica profecia a que se entregavam os aureolava de prestígio aos olhos dos que a superstição da ciência deslumbra.”

 Jaspers, então, confrontou esses sistemas de pensamento e denunciou:

“Assim, psicanálise e marxismo não passam de caricaturas de filosofia.
Cada um desses sistemas sustenta que o homem se perdeu porque se alienou(no sentido etimológico) e apresenta-se como forma de salvação. O marxismo na esfera política, a psicanálise na esfera psicoterapêutica.”

Continua e coloca o nazismo como uma variante do marxismo,  concluindo: “Em 1933, um eminente psicanalista me disse : a ação de Hitler é o maior ato psicoterapêutico da história”.

De tal forma esses sistemas de pensamento se apossaram das ciências das quais saíram que o eminente pensador alemão alertou:”Quando a psicologia e a sociologia degeneram em ciências totalitárias, manifestam-se estranhos fenômenos em seus adeptos. O desejo de poder domina o desejo de verdade. O conhecimento que se tem do homem passa a ser mais importante do que o próprio homem. Adota-se, por vezes, atitude de singular superioridade, como a de quem possuísse poder absoluto, capaz de tudo penetrar e de tudo esclarecer. Dessas alturas, olha-se para as misérias humanas. Toma-se a posição de ser superior, que domina espiritualmente o mundo, o que se torna de um ridículo todo particular, quando se é pessoalmente um pigmeu”.

 

 Referências bibliográficas:

“Introdução ao pensamento filosófico”(Karl Jaspers)

“A Situação Espiritual de nosso tempo”(Karl Jaspers)

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Luís Fernando Pires Braga

Advogado.

Recent Comments

  • Uma breve lição sobre o Marxismo - Guedes & Pires Braga Advocacia

    […] Karl Jaspers contra o Marxismo e a psicanálise […]

  • ricardo vito labbate

    Obrigado pelo texto, pois informa um pouco as pessoas sobre quem foi Karl Jaspers. E ainda permite comentários de todos…

    Apenas uma observação, com especial enfase as aspas, é óbvio !! Ou melhor, são quase ” aspas infinitas “, RSS

    Embora Jaspers tenha sido um grande psiquiatra e praticamente o fundador da psicopatologia, o que não é pouco e já dispensa comentários ( ! ) , ele era, por assim dizer e por falta de melhores expressões, “preconceituoso” e “limitado” em Filosofia, apesar de haver gente muito importante que possa pensar o contrário, o que é muito, muito compreensível, uma vez que ele ” apenas ” fundou uma disciplina médica “usando” Husserl !!! Não há como condenar quem o ache um gênio filosófico e um ” guardião da racionalidade soberana em tempos de barbárie ideológica” e etc, etc, etc.

    Mas continuando, não tem cabimento comparar Marx a Freud e colocá-los no mesmo ” barco “; isto não é nada plausível. Marx não merece isso, sem contar que ele nunca imaginou seu pensamento como a ” salvação ” do homem e do mundo, apenas porque teria fim uma ” alienação ” muito precisa, instaurada pelo capitalismo. Igualmente , ele nunca imaginou seus pensamentos e a base que os sustenta, como algo científico no sentido usual, isto é, passível de ” observação, testagem e comprovação em laboratório ” , o que poderia então permitir até “previsões sobre o futuro” , como se fosse possível observar o Capital em ação num microscópio e concluir algo disso, como quando observamos bactérias ou testamos algo em um túnel de vento ou em um experimento químico kkk. Finalizando, Marx também nunca foi marxista e foi além: chegou a ser contra as ” revoluções fora de hora ” e até escreveu uma carta parabenizando Abraham Lincoln !!!! E nunca desdenhou da Democracia.

    Ou seja, Jaspers simplesmente não leu Marx e nem conhecia direito sua vida. Escreveu besteiras assim como Karl Popper, autor de um dos piores livros de Filosofia de todos os tempos, ” A sociedade aberta e seus inimigos “. Ou então ele leu e não entendeu nada ou agiu de má fé mesmo. Algo parecido ocorreu com Heidegger, por exemplo. É aquele famoso ” ouvi dizer aí ” ; é aquela famosa ” orelhada ” ou leitura restrita a orelhas de livros. Ou simplesmente aquilo que se aprende de terceiros em botecos da vida, na base da “fofoca” mesmo, caso se queira.

    Colocar Freud e Marx juntos, como coisas de mesmo estatuto ” epistemológico ” e ” ontológico ” e ainda ” mentir ” sobre Marx, só faz sentido para pessoas, digamos, ” cientificistas ” ( ou ” ideólogas da Razão “) e que, talvez até pior do que isso, ainda acreditam no ideal ultrapassado de uma ” razão pura ” ou ” relativamente pura ” , que seria capaz de nos salvar , o que é, ironicamente, uma forma de ” irracionalismo ” e até de totalitarismo, ironicamente, RSS. Realmente, Jaspers manteve-se em um nível de “ingenuidade” tal , que jamais saiu de uma certa herança cartesiana e kantiana, depois personificada em Husserl ou ao menos no “primeiro Husserl” .

    Mas atualmente, sabemos que verdadeiros irracionalismos ( e barbáries) podem estar, justamente, naquilo que chamamos de ” Razão “. Por isso mesmo, admirar Jaspers no campo da Filosofia, bem poderia ser, hoje, sinonimo de ir contra Jaspers, rss. Mas isso não é necessário porque, talvez para nossa sorte, sua grande importancia ficou mais restrita à psiquiatria, onde sua herança é inestimável.

    Ricardo Labbate

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