A pandemia do medo provocada pelos meios de comunicação. Nosofobia e alteração cognitiva à luz do pensamento de Viktor Frankl e Marshall Mcluhan. O exemplo de Orson Welles.

A pandemia do medo provocada pelos meios de comunicação. Nosofobia e alteração cognitiva à luz do pensamento de Viktor Frankl e Marshall Mcluhan. O exemplo de Orson Welles.

A pandemia do medo provocada pelos meios de comunicação. Nosofobia e alteração cognitiva à luz do pensamento de Viktor Frankl e Marshall Mcluhan. O exemplo de Orson Welles.

“Nada devemos temer tanto como o próprio temor” (Franklin Delano Roosevelt)

A nosofobia (medo de doença) causada por uma pandemia psíquica do medo é algo que pode ser incentivado pelos meios de comunicação e manipulado politicamente.

De nada adiantará demonstrar com dados concretos o perigo que uma doença representa, como tratá-la e a quem ela atinge com mais gravidade.

A mente das pessoas, mesmo assim, concentrar-se-á nos casos em que ocorreram desgraças e nas estatísticas falsificadas ou ruins. Se de cem, por exemplo, morrem cinco, o que interessa, na mente perturbada, são os cinco. Some-se a isso a maneira como se morre apresentada com imagens, vídeos e os relatos de áudio mais chocantes.

Ainda que esses acontecimentos estejam distantes de uma pessoa saudável, o efeito deletério da constante propaganda midiática causará danos psíquicos pelo medo que ela difunde.

Viktor Frankl desvendou esse mecanismo psíquico:

“Trata-se de um círculo vicioso, um verdadeiro círculo diabólico: qualquer perturbação inócua, que por si só, seria passageira, gera medo; o medo, por sua vez, reforça a perturbação e a perturbação deste modo reforçada aumenta no paciente o medo.”

Este medo pode ser difundido em larga escala por uma reação em cadeia psicológica que distribui, na coletividade, o pânico.

Não é necessária uma causa real para desatar o nó do pavor, bastam meios adequados e capacidade comunicativa para despertar, na massa, a “credulidade” e o pânico.

Orson Welles, na Rádio, assim o fez.

Um dos maiores artistas de todos os tempos, Orson Welles, a partir de uma interpretação radiofônica de “Guerra dos Mundos” de H.G. Wells, causou pânico coletivo, narrando uma invasão de marcianos à Terra.

A obra ficcional foi tomada por real diante da espetacular radiotrasmissão de Welles.

Não adiantava dizer, naquele momento, que aquilo não passava de uma magistral interpretação de um grande artista numa Rádio.

As pessoas foram contaminadas pelo pânico, independentemente, da causa ser real ou não.

Era uma invasão marciana e uma transmissão radiofônica, o que dizer, então, da invasão de um vírus mutante comunicada por Smartphones, TVs e rádios…

Nesse sentido, para elucidar como acontece a reação em cadeia psicológica que produz a crença inabalável na doença, podemos recorrer a Marshall Mcluhan que estudara o impacto das novas tecnologias de informação na mente humana e de como a capacidade cognitiva era afetada por elas.

O caso da narração de “Guerra dos Mundos” por Welles é paradigmático. As pessoas acreditaram na narração e fugiram em pânico, pois foi transmitida por rádio, meio de comunicação moderno à época e bem difundido na sociedade norte-americana.

Segundo Mcluhan, “o meio é a mensagem”. A capacidade cognitiva é modificada pelo meio. Neste exemplo da narração de Welles, ela só teve credibilidade por causa do meio, no caso, a radiodifusão.

Se Welles saísse, andando pela rua, dizendo a cada cidadão americano que estava a acontecer uma invasão extraterrestre, com certeza, seria internado como lunático.

Da mesma forma, hoje, as pessoas acreditam nas informações de uma doença por causa do meio em que ela é difundida, sem verificar a fundo o que está ocorrendo. Se médicos saíssem de porta em porta, tranquilizando a população, talvez, fossem tachados de mentirosos e os indignados brandiriam os smartphones na cara deles para lhes demonstrar a suposta verdade propagada pelos meios de comunicação.

Basta uma imagem dramática sobre doença e morte e a difusão em larga escala midiática para despertar aquele círculo vicioso diabólico descrito por Frankl.

# A pandemia do medo provocada pelos meios de comunicação. Nosofobia e alteração cognitiva à luz do pensamento de Viktor Frankl e Marshall Mcluhan. O exemplo de Orson Welles

Para mais texto sobre a pandemia do medo provocada pelos meios de comunicação, clique aqui.

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Luís Fernando Pires Braga

Advogado.

Recent Comments

  • ODILON ROCHA

    Excelente. É isso mesmo.
    Durante esses dias me lembrei do episódio da narração via rádio sobre a invasão marciana.
    Teve gente que se suicidou.

    • guedesebraga

      Obrigado. Abraço.

  • Maurício Almeida

    Excelente texto. Merecedor de reflexões:

    Estamos num momento de incertezas…campo fértil para a mente humana.

    O pânico é idolatrado pelas pessoas como uma forma de justificar a preocupação por algo.

    Temos que saber lidar com os fatos. Toda forma de fanatismo ofusca o realismo.

    A vida não tem preço…e segue.

    • guedesebraga

      Obrigado. Abraço.

  • Ana Ribeiro

    Bem pensado trazer a recordação desse episódio histórico da « invasāo marciana « protagonizada por Orson Welles. Uma coisa é a pandemia em si mesma, outra é esse despudor da mídia em focar na exploração do medo.Outra coisa também imoral é fazer baixa política com a dor dos que passam por esse momento difícil.
    Abraços!
    Ana

    • guedesebraga

      Muito obrigado, Ana.
      Luís Fernando.

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