Antes de George Orwell: Chesterton, Belloc e a “profecia” de uma sociedade de escravos

Antes de George Orwell: Chesterton, Belloc e a “profecia” de uma sociedade de escravos

Antes de George Orwell: Chesterton, Belloc e a “profecia” de uma sociedade de escravos

Hilaire Belloc foi eleito para o parlamento britânico em 1906.

Saiu de lá decepcionado e descreveu como de fato eram feitas as leis numa democracia representativa: “os membros não dispõem de nenhum poder. As lei são combinadas em conchavos entre importantes interesses financeiros e as bancadas de frente.”

O primado do domínio da oligarquia econômica sobre o bem comum prevalecia.

Não virou socialista por isso, antes preocupou-se em conter o avanço comunista, o extremo inverso da avareza capitalista.

Formulou, então, os princípios do distributismo, baseado na Doutrina social católica, onde o primado da dignidade humana deveria estar acima de qualquer sistema político e econômico. Evitar-se-ia, assim, o igualitarismo socialista e a avareza capitalista.

Em termos sucintos, a doutrina do distributismo pregava a máxima distribuição da propriedade privada, pois isso conteria uma intensa concentração da riqueza na mão de poucos e o monopólio do Estado.

Chesterton e outros ilustres intelectuais aliaram-se a Belloc e fundaram a liga distributista.

Sem condenar o justo lucro ou receitar costumes excêntricos como alguns radicais queriam, o distributismo se caracterizava por um sistema tributário justo a beneficiar os mais pobres, máxima distribuição da propriedade privada, valorização do trabalho e da poupança e um modo de vida sem sofisticação, privilegiando a simplicidade e o natural.

Belloc e Chesterton achavam que o distributismo seria um remédio contra as oligarquias financeiras e políticas.

Temiam, com razão, o domínio de uma oligarquia econômica e política ou um Estado socialista.
Temiam também, profeticamente, uma sociedade composta de escravos dominada por poucos, não mais importando se seria socialista ou capitalista.

Belloc num debate em 1922 afirmou:

“Em sabe-se lá quantos anos – este debate estará tão ultrapassado quanto a crinolina…a civilização industrial que, Graças a Deus, só oprime a pequena parte do mundo a que estamos mais aferrados se desmantelará, encerrando assim sua monstruosa perversidade…Ou se desmantelará sem dar lugar a nada mais que um deserto. Ou levará a massa dos homens a se contentar em ser escravos, controlados por poucos ricos.”

George Orwell reconheceu a extraordinária previsão de Chesterton e Belloc e escreveu:

“Nem capitalista nem socialista e provavelmente fundada na escravidão…Um bom exemplo é o livro de Hilaire Belloc, “O Estado servil”…que vaticina, com impressionante antevisão as coisas que vêm desde 1930. Chesterton de modo menos metódico previu o desaparecimento da democracia e da propriedade privada e o surgimento de uma sociedade escrava que poderia ser chamada capitalista ou comunista.”

Orwell escreveria depois o seu famoso “1984”, acrescentando tecnologia e outras vertentes às previsões de Belloc e Chesterton.

Depois dessa pandemia, essas profecias vêm se concretizando e vemos agora a destruição da liberdade e da força econômica do povo comandada por uma oligarquia supranacional político-econômica cada vez mais rica, poderosa e tecnológica aliada a Estados nacionais ou submetendo tais Estados a seus comandos.

P.S.: As citações literárias foram retiradas do livro “Convertidos literários” de Joseph Pearce.

Pearce também menciona, em suas histórias biográficas, que Orwell recomendava: “o que a Inglaterra precisava era o gênero de políticas encontradas na G.k’s Weekly* de Chesterton”.

Curiosa recomendação que não foi aceita, pois um dos centros financeiros mais importantes do mundo, símbolo da avareza capitalista mundial, localiza-se exatamente na Inglaterra: a City of London, o maior centro financeiro da Europa e responsável por várias decisões que alcançam quase todos os países do mundo.

*Revista fundada por Chesterton e seu irmão, Cecil, que publicava artigos sobre o distributismo.

Leia também sobre pandemia do medo, clique aqui.

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Luís Fernando Pires Braga

Advogado.

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