Evelyn Waugh e a 2a Guerra mundial

Evelyn Waugh e a 2a Guerra mundial

Evelyn Waugh e a 2a Guerra mundial

Durante a Segunda Guerra mundial, Waugh foi a “encarnação” perfeita da famosa frase de Chesterton: “Um homem são é aquele que tem a tragédia em seu coração e a comédia em sua cabeça”.

A trilogia “A Espada da Honra” sobre a 2a Grande Guerra é a prova dessa “encarnação”.
Num dos momentos mais trágicos da história da humanidade, ele ainda conseguiu espaço para o humor e para zombaria. Nesta obra, ele adotou o nome fictício Guy Crouchback.

E não há nenhum demérito em tratar assuntos sérios com leveza e riso. A vida, queiramos ou não, terminará um dia e, para muitos, com muita dor e sofrimento. Saber dessa tragédia e encará-la com o riso nos lábios é melhor do que fingir que o mal não existe ou submeter-se à tristeza que ele causa.

Bom, em 2020, ao abrirem parcialmente os arquivos de Pio XII referentes à Segunda Guerra mundial, uma das surpresas foi encontrar o nome do Capitão Evelyn Waugh e suas informações sobre a situação da Igreja Católica na Iugoslávia. O magnífico escritor inglês, além de ser católico e de ter servido ao Exército Britânico, trabalhava como fonte de recomendações para o Vaticano.

Em expedição militar, ele saltou de pára-quedas nos Bálcãs para ajudar os partisans comunistas de Tito* que resistiam aos alemães.

Esse episódio, pouco lembrado da história da 2a Guerra mundial, acendera um alerta a Waugh para o que viria a ser a “Guerra Fria”. Comunistas jamais poderiam ser aliados, mas, na 2a Grande Guerra, a política, neste sentido, foi esquecida.

Além disso, Waugh, ao narrar esse episódio, desmistifica a capacidade de Winston Churchill em submeter oponentes com a sua conhecida esperteza.

O personagem Frank de Souza, na última parte da trilogia, conta:

“Acho que você devia saber o que está acontecendo. Tito deixou Vis e foi juntar-se aos russos. Ele poderia ter feito isso com mais delicadeza. Não disse uma palavra a ninguém. Simplesmente decolou quando todo mundo estava dormindo. Alguns dos nossos estão muito contrariados com isso, eu acho. Aposto que Winston está. Eu lhe disse que Tito ia enrolar o Velho. Winston pensava que faria a mesma mágica com Tito que fez com os líderes trabalhistas ingleses em 1940. Deveria haver desembarques ingleses na Dalmácia, e um belo governo de coalizão estabelecido em Belgrado. Foi isso que Winston pensou. De agora em diante, qualquer ajuda que Tito precise estará vindo da Rússia e da Bulgária.”

Antes, explicaram a Guy Crouchback/Evelyn Waugh o propósito da missão na Iugoslávia e os “aparelhos sofisticados” que usariam:

“O propósito desta missão é continuar a incomodar com os poucos CACARECOS que dispomos. Quando os guerrilheiros falam de suas ofensivas, saiba você, eles se referem às ofensivas alemãs, não deles. Sempre que os Iugoslavos começam a perturbar demais, os alemães fazem uma varredura e os botam para correr, mas nunca conseguiram resolver completamente o problema; e parece cada vez mais que nunca conseguirão.”

Pois bem, como observamos nesta parte da obra de Waugh, tivemos um Winston Churchill ludibriado por Tito. Este e seus comandados, ajudados pelos ingleses e seus “cacarecos”, conseguiram rechaçar os alemães.

A história nos ensinou também que a Segunda Guerra mundial foi vencida pelos aliados e, entre os aliados, havia os comunistas. No entanto, estes, como atesta Waugh, só pensam em defender a própria ideologia, seja em que circunstância for.

No nosso tempo, já não mais existem, daquele jeito, os aliados e seus valores, só a lembrança. Já os comunistas, sob nova e velha roupagem, existem e continuam.

E se um Churchill foi enganado por um comunista, imaginem o resto do mundo…

P.S.: *Josep Broz Tito foi o líder revolucionário dos partisans iugoslavos (força de resistência iugoslava de orientação comunista) durante a Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, Ditador comunista da Iugoslávia.

Leia também:

“Homens ocos” de T.S. Eliot. A atualidade de uma obra-prima

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Publicado no blog Guedes & Braga

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Luís Fernando Pires Braga

Advogado.

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