Lockdown, medicina mecanicista e o dr. Viktor E. Frankl.

Lockdown, medicina mecanicista e o dr. Viktor E. Frankl.

Lockdown, medicina mecanicista e o dr. Viktor E. Frankl.

Existe um tipo de medicina que podemos chamar de mecanicista que tem como base a biologia matemática. Embora tenha a sua importância, o problema é quando se aplica esse tipo de medicina e seus modelos matemáticos à complexa realidade do ser humano.

O lockdown é um desses modelos. Modelo este que leva o ser humano a um condicionamento material e artificial da vida.

Muitos epidemiologistas, durante essa pandemia de coronavírus, se renderam ao lockdown e a maioria dos governantes o colocou em prática. Ainda que só os remédios, as vacinas ou um sistema imunológico robusto possam vencer o vírus, o lockdown é constantemente prescrito.

A medicina mecanicista, então, pode ser cacterizada pela biologia matemática e pela redução do ser humano a um aglomerado de células sem unidade própria e substancial, dotado de um corpo sem alma que pode ser salvo de uma pandemia caso se cumpra o que o modelo matemático prescreve.

É aquilo o que, de certa forma, demonstra Goethe na obra-prima “Fausto”. O diálogo de Mefistófeles com o “Estudioso” ilustra essa situação:

“Quem quer conhecer e descrever o que é vivo procura primeiramente eliminar o espírito, ele tem as partes na mão, mas o que falta, infelizmente, é o vínculo espiritual”.

Viktor Frankl, por sua vez, também não acreditava nessa medicina mecanicista. Tanto intelectualmente como por experiência própria.

“A base para qualquer previsão estaria constituída pelas condições biológicas, psicológicas ou sociológicas. No entanto, uma das principais características da existência humana está na capacidade de se elevar acima dessas condições”, afirmava Frankl.

A passagem trágica dele pelo campo de concentração de Auschwitz é um exemplo disso.

Ele relatou:

“Estávamos curiosos por saber o que aconteceria agora e quais seriam as consequências. Por exemplo, as consequências de ficar completamente nu e molhado no frio do outono avançado. Nos dias seguintes, a curiosidade cedeu lugar à surpresa; surpresa, por exemplo, de não se pegar um resfriado.
São muitas as surpresas triviais que ainda aguardam o prisioneiro recém-chegado. Quem é ligado à medicina aprende sobretudo uma coisa: os compêndios mentem! Em algum livro de estudo constava que a pessoa não consegue aguentar mais que determinado número de horas sem dormir. Trata-se de concepção totalmente errada. Eu mesmo tinha a convicção de que havia certas coisas que eu simplesmente não conseguiria fazer ou deixar de fazer. Não poderia dormir “caso não…”. Não conseguia viver “sem…”.
Na primeira noite em Auschwitz, dormi em beliches de três andares, e em cada andar (medindo mais ou menos 2 × 2,5 m) dormiram nove pessoas. Naturalmente só podíamos nos deitar de lado, apertados e forçados um contra o outro, o que, por outro lado, face ao frio reinante no barracão sem calefação, não deixava de ter suas vantagens. Não era permitido levar sapatos para os beliches. Em grave infração do código, um ou outro os usava à guisa de travesseiro, mesmo estando completamente enlameados. No mais, nada nos restava senão apoiar a cabeça sobre o braço esticado para cima, mesmo que quase o destroncasse. Mas o sono levava consigo o estado consciente, eliminando também o dolorido da posição.
Outras coisas surpreendentes que se consegue fazer: passar meses ou anos no campo de concentração sem escovar dentes, e, mesmo assim, ter uma gengiva em estado melhor do que em épocas de alimentação mais sadia, apesar da considerável deficiência de vitaminas. Ou usar a mesma camisa durante a metade de um ano, até ela ficar completamente irreconhecível; não poder lavar-se durante dias, nem parcialmente, por estar congelada a água nos canos do lavatório; não ficar com pus nas mãs feridas e sujas de trabalhar na terra (claro, enquanto não houvesse sintomas de congelamento).”

Como disse Frankl: “Quem é ligado à medicina aprende sobretudo uma coisa: os compêndios mentem!”

Evidentemente que ele não estava a desacreditar a medicina, mas a observar que conceitos científicos e modelos biológico-matemáticos comumente aplicados a determinadas situações reais não são exatos e o ser humano consegue superar situações inimagináveis que ciência nenhuma explica!

P.S.: Os trechos reproduzidos neste artigo são do livro “Em busca de sentido” de Viktor E. Frankl.

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Leia também:

O livro como meio terapêutico em Viktor E. Frankl. A grande literatura como meio para se conter a obsessão pela política.

Publicado no blog Guedes & Braga.

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Luís Fernando Pires Braga

Advogado.

Recent Comments

  • Odilon Rocha

    Excelente artigo.
    LOCKDOWN e máscaras só fazem deprimir o sistema imunológico.
    Eles, os genocidas, os de verdade, sabem disso.

  • Luís Fernando

    Obrigado, Odilon

    Isso

    E, não é demais lembrar, com toda essa desgraça contada por Frankl (aglomerações horrorosas, completa falta de higiene, terror psicológico, etc), as coisas que mais mataram os prisioneiros nos campos de concentração foram os fuzilamentos em massa e, principalmente, as câmaras de gás. Não vírus ou bactérias!

    Luís Fernando

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