São João Paulo II e a situação espiritual do nosso tempo. Pandemia, Materialismo e o medo dos cristãos.

São João Paulo II e a situação espiritual do nosso tempo. Pandemia, Materialismo e o medo dos cristãos.

São João Paulo II e a situação espiritual do nosso tempo. Pandemia, Materialismo e o medo dos cristãos

“A coragem é quase uma contradição em termos. Significa um forte desejo de viver que toma a forma de uma disposição para morrer.” (Chesterton)

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Foi mais fácil do que se pensava confinar quase toda população mundial em casa por causa dessa pandemia, assim como vai ser fácil vaciná-la.

Muita gente tem estranhado a passividade da maioria do povo em relação às medidas restritivas e impositivas durante essa pandemia.

Bastou insuflar medo, dizer que era para o bem de todos e que logo passaria…

Quase toda população mundial aceitou “bovinamente”.

E como “bom gado”, continua-se agora a esperar a vacina!

Na verdade, por mais que grande parte dos governantes seja canalha e autoritária, eles só fizeram fingir resguardar aquilo que boa parte da população almeja: proteção contra doença e morte e a manutenção do conforto material.

Se o medo e o egoísmo material são a base da existência humana nos dias de hoje, podemos dizer que tanto faz as pessoas estarem vivas ou mortas, pois já estão mortas espiritualmente em vida.

São João Paulo II, no livro com o sugestivo título “Não tenham medo”, desvendou essa situação espiritual dos nossos tempos ao falar dos materialismos presentes no mundo.

Ferrenho anticomunista, o Santo Padre não se esqueceu do materialismo engendrado pelas sociedades de consumo capitalistas:

“Este se manifesta sobretudo sob o efeito dos impulsos ou das atrações produzidas por valores materiais, sensuais ou temporais, sobre toda a esfera da concupiscência e da afetividade. Esta ação imediata, direta, não implica obrigatoriamente convicções filosóficas, nem mesmo a aceitação prévia de uma hierarquia de valores.”

“Diria igualmente que é o perigo de uma ilusão fundamental: a do homem a se imaginar que graças ao desenvolvimento exclusivo da civilização material se tornou o senhor do mundo visível, o senhor do cosmos, sem se aperceber que, ao mesmo tempo, se submeteu a este mundo, se subordinou ao poder das energias liberadas, se tornou objeto de múltiplas manipulações contra as quais nada pode, precisamente, porque se deu inteiramente ao mundo, deu a consciência e a liberdade. E o mundo se apoderou dele”, concluiu o Santo Padre.

Foi esse materialismo descrito acima junto a um instinto de autopreservação inspirado pelo medo que vai, aos poucos, transformando-se em egoísmo que grande parte da população quis e quer preservar.

Realmente, seria impensável todas essas medidas restritivas e impositivas se o materialismo não tivesse entrado no coração do homem.

Da pornografia ao crescimento do consumo pela internet, muitos preferiram entregar sua consciência e liberdade a lutar pelo que dignifica um homem.

Já aos que enfrentaram essa pandemia, mortos ou não: pessoas de todas as classes, trabalhadores de todas as áreas que se arriscaram e acabaram falecendo ou escapando, tanto para salvar o próprio sustento como para salvar outras pessoas, todos dignificaram a existência humana. Deus os conhece!

Dentro desse mesmo contexto de pandemia, materialismo e medo, excetuando todos os vulneráveis que devem ser sempre protegidos, aos católicos e a todos os cristãos, especialmente, àqueles que ainda estão amedrontados, sem sair de casa e esperando pela vacina, não é demais lembrar que o cristianismo floresceu no meio de perseguição, violência e da lepra, doença contagiosa que só veio a ter cura nos tempos modernos.

Leia também:

Circunstâncias implacáveis e o princípio do mal menor. A pandemia e o problema do isolamento social.

A pandemia do medo provocada pelos meios de comunicação. Nosofobia e alteração cognitiva à luz do pensamento de Viktor Frankl e Marshall Mcluhan. O exemplo de Orson Welles.

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Luís Fernando Pires Braga

Advogado.

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